sexta-feira, 20 de julho de 2012

Viral da Nokia: Perdi meu amor na balada

O hit dos últimos dias, Perdi meu amor na balada, revelou o que realmente era, uma campanha publicitária do novo smartphone da Nokia.

Bem, quando tive a ideia de criar o Fantástico Mundo do Audiovisual, meu objetivo era falar sobre o Audiovisual, não simplesmente falar se o filme, clip ou programa de TV é bom ou ruim, a ideia é comentar a forma de produção, o que está por trás do resultado que vemos nas salas dos cinemas ou em nossa casa. Sou cinéfilo, trabalho com audiovisual e pretendo dividir um pouco do que aprendi na prática e com os livros. Sou formado em publicidade e propaganda e além dos vídeos, trabalho com comunicação e internet.

O viral da Nokia acabou estreando o blog por ser o resultado de vídeo + redes sociais. Vamos começar do início, com o perdão do pleonasmo, vamos rever as cenas do último capítulo.

Dia 10 de julho de 2012: O jovem, Daniel Alcântara, publicou um vídeo no youtube com o título “Perdi meu amor numa balada”, (quase 1 milhão de views) no vídeo ele diz ter conhecido uma garota numa balada em São Paulo, e se apaixonou pela Fernanda.  Porém, ele perdeu o número do celular que estava anotado num papel. Então nosso apaixonado recorreu ao poder das redes sociais para pedir ajuda das pessoas que estavam na tal balada, ou que conheçam alguma Fernanda que bata com a descrição que ele faz no vídeo.


Uma versão de Cinderela adaptada ao século XXI. Além do vídeo, foi criada pelo “Daniel” uma página no facebook, chegou a ter mais de 100 mil curtidas, onde várias pessoas se engajaram e tentavam ajudar o pobre apaixonado. É certeiro, basta falar que é para ajudar alguém e compartilhar algo, que em poucos dias até o Mark, o grande chefe, já está sabendo. Um bom exemplo disso são as imagens de crianças doentes, acompanhadas do texto “Compartilhe essa foto. A cada compatilhamento o Facebook vai doar tantos centavos para o tratamento.” Tais imagens são a nova roupa das correntes que recebíamos até bem pouco tempo por e-mail. Tudo isso é fake, mas vamos voltar para o viral.

No vídeo acima, vemos que a intenção é parecer amador, temos um som razoável, pessoas conversando ao fundo... percebe-se que o vídeo está um pouco tremido, mas temos uma qualidade de imagem muito boa. Vão falar que temos celulares e câmeras digitais que filmam com uma qualidade maravilhosa. Mas a história tem um tom de publicidade, é mesmo muito Cinderela.

Durante uma semana só se falava no apaixonado Daniel do Perdi meu amor na balada. Teve até retrato falado da Fernanda. Estavam indicando várias Fernandas para ele... e no sétimo dia... Deus descansou, quero dizer, tudo foi revelado com o vídeo (na verdade é um curta-metragem) “Perdi meu Amor na Balada (O Filme)” com a descrição “A todos que acreditam no amor e têm coragem de lutar por ele. Viva o amor! Viva a tecnologia!”. Revelando que tudo era uma ação para o lançamento do Nokia 808 PureView



E o que aconteceu? As pessoas se sentiram enganadas, dizendo que a Nokia mentiu para elas. Tá, a Nokia criou uma historinha para divulgar seu produto, mas somos enganados todos os dias e nunca reclamamos. Por quê ninguém reclama das propagandas de margarina, que criam uma imagem na qual todos os dias pessoas comem margarina insinuando que você terá um café da manhã feliz com sua família e que seu dia será ótimo. Somos enganados com as propagandas de bebidas, que mostram que viveremos numa eterna festa simplesmente por beber determinada bebida.

Por que não reclamos?

Porque essas marcas não os enganam em seu território, a Nokia jogou o jogo deles e enganou essas pessoas nas redes sociais, um local sagrado onde apenas eles podem enganar, apenas eles podem criar histórias para alguns fingirem que acreditam. Um local onde manipulam fotos para atrair mais “amigos”. É revoltante ser enganado onde achamos que somos os maiorais.

Vamos ao tema do blog, vou falar do curta metragem produzido pela Agência NaJaca Comunicação, Filmes e Eventos. O curta tem uma fotografia muito bonita, bem trabalhada, é ponto destaque do vídeo. O início do vídeo é uma mistura de cenas do tatuador fazendo o retrato falado, o Daniel procurando pela Fernanda nas redes sociais, flash back de alguns momentos dos dois na balada, time lapse para demonstrar a passagem de tempo (bem Avenida Brasil), planos detalhes da boca da Fernanda, dos olhos, boca e os dedos do Daniel digitando. Próximo de 2 minutos, cria-se uma expectativa, encontraram a Fernanda, nosso “herói” se arruma, compra flores e vai até o local de trabalho da suposta Fernanda, mas ele não tem coragem de revelar seu amor para a garota e volta para casa e joga as flores fora.

Quando tudo parece perdido, como todo roteiro de filme de amor, acontece uma virada: aparece um cara que estava na mesma balada, e tirou fotos com o seu Nokia 808 PureView, e olhando as fotos que ele tirou com a câmera de 41 MP de resolução do smartphone, ele consegue ver no fundo de uma das fotos o momento exato que a Fernanda entrega o número do celular para o Daniel. É a tecnologia unindo pessoas, ou como a gigante finlandesa diz: Conectando pessoas.

Então, o Daniel liga para a garota, marcam um encontro e fim. Acaba assim mesmo. Poderiam ter pensando num final melhor quando fizeram o roteiro. Dá a entender que não sabiam como terminar... e a solução foi: coloca o produto.

O que faltou foi o roteiro ter fechamento , ser melhor trabalhado, poderia ter revelado que era uma ação de lançamento de um novo smartphone de uma forma mais sutil, que talvez não deixaria as pessoas tão indignadas. Faltou um final, como dizem, mais “bunitinho”.

Só mais uma coisa, quer conhecer a Fernanda, ela aparece aos 8 segundos.


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